Fheluany Nogueira
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Ruas de ontem e de hoje
 
          Ruas são espaços que construímos. Quem nasceu e viveu toda a vida na mesma rua pode notar as mudanças ocorridas, muitas vezes, em pequenos intervalos de tempo. Pode perceber se os moradores são outros, as construções, a iluminação ou o calçamento foram modificados. Enfim, as ruas também contam histórias.

            As motivações atreladas à escolha dos nomes fazem parte da identidade das ruas, das histórias ligadas a elas. Se de alguma maneira, então, os nomes refletem o local que denominam, o que os logradouros (ruas, avenidas, pontes, rodovias, praças, vielas, travessas, escadarias) dizem sobre a nossa cidade.

          As ruas das cidades brasileiras sempre receberam nomes relacionados a pessoas ou acontecimentos que são considerados significativos para a história do país. É o caso da “9 de Julho”. Em Santo Antônio da Alegria, já foi rua da Casa Verde, do Comércio e da Ponte. Havia uma casa verde que se destacava, sendo a primeira, no alto. As atuais ruas D. Salma e 9 de julho eram uma só.

 
                              
             No trecho da Rua 9 de Julho em direção ao rio Pinheirinho e a ponte localizavam-se: máquina de arroz, desnatadeira do Antônio João, selaria e sapataria do Vítor Isaías, hotel de madeira do João Pinto, Coletoria Estadual, alfaiataria do Biriba, bares, farmácia do Aladino, Casa Chocair, o prédio da Biblioteca, que funcionava também como cinema, teatro e escola de datilografia, empresa de luz do Baú, as lojas de José Aiub, João Rato, Zeca Aiub e João Meziara (o quadrilátero do comércio).  Mais adiante a cadeia pública e o centro espírita. A rua terminava no campo de futebol, depois dele já era sítio do José Bento. Não havia a Avenida Francisco Antônio Mafra, mas a Capela do Divino já estava ali.

               O trecho da rua mais recente, que se segue depois da avenida é mais atual e vem se alongando com escolas, creches, lojas, mercados, bar-restaurante, farmácia, hospital. Como pode ser notado, a rua nunca perdeu a verve comercial.
 
 
Por que a rua recebeu o nome de 9 de Julho?
 
               A Revolução Constitucionalista foi o movimento armado ocorrido no estado de São Paulo, entre julho e outubro de 1932, que tinha por objetivo derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas, que tinha amplos poderes, e colocou fim ao período denominado República Velha, porém, sob a promessa de convocação de novas eleições e a formação de uma Assembleia Nacional Constituinte para promulgar nova Constituição.

               Essa expectativa deu lugar a um sentimento de frustração, pelo não cumprimento das promessas e o governo seguia de forma discricionária por meio de decretos, sem respaldo de uma Constituição e de um Poder Legislativo. Essa situação também fez diminuir a autonomia dos Estados.

           O levante começou de fato em 9 de julho de 1932 e foi precipitado após a morte de jovens por tropas getulistas. Após quase três meses de intensos combates nos quatro cantos do Estado o conflito foi encerrado em 2 de outubro de 1932 com a rendição do Exército Constitucionalista.

            Atualmente, o dia 9 de julho, que marca o início da Revolução de 1932, é a data cívica mais importante do Estado de São Paulo e feriado Estadual. Os paulistas consideram a Revolução Constitucionalista como sendo o maior movimento cívico de sua história.

                Por estar situada na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, na revolução constitucionalista de 1932 Santo Antônio da Alegria foi campo de operações bélicas, criando-se uma situação especial, até 1937, quando a sede do Município foi dividida, parte em São Paulo e parte em Minas Gerais.

                 Nossa cidade esteve presente em parte dos conflitos da Revolução de 1932, sob o comando do Coronel Antônio de Souza Vieira, que, com um batalhão de pouco mais de 20 homens entre civis e militares marchou rumo ao estado de Minas Gerais com o objetivo de tomar a cidade de São Sebastião do Paraíso. O batalhão ficou conhecido na época, como a Turma dos Bate-Paus e não obteve sucesso nesse plano.

                 Os voluntários cavaram trincheiras do lado esquerdo do Rio Pinheirinho, muito próximo da ponte. As forças federais, aliadas aos mineiros, vieram atacar as cidades próximas da divisa entre os dois estados e atacaram Santo Antônio da Alegria, tomando-a em 26 de Setembro de 1932. O Prefeito, o Delegado e quase toda a população fugiram para cidades vizinhas e para o meio rural. Somente duas pessoas permaneceram na cidade, quando as tropas mineiras aqui se instalaram: João Marques Virgínio, apelidado João Colorato, foi executado na invasão, ficara em guarda do posto telefônico (onde é a casa da família Tortelli, na Praça da Matriz) e Álvaro Venâncio da Costa (escrivão de polícia), que foi preso e levado para Itamogi. Com a ajuda do bispo de Belo Horizonte, foi arranjado um salvo-conduto, permitindo sua saída da prisão, no término da revolução.
 
              E uma curiosidade: em São Paulo há poucas ruas ou avenidas  com o nome de Getúlio Vargas. Ainda é uma lembrança da rivalidade que surgiu após a Revolução de 1932, quando os paulistas foram derrotados pelo ditador. Em compensação, que se todas as cidades paulistas possuem uma rua ou avenida 9 de julho. É uma via arterial da cidade de São Paulo, eixo radial de ligação entre o centro da cidade a região Sudoeste, a região da Avenida Paulista e a Marginal Pinheiros. História também se aprende nas ruas.

                Na atual Santo Antônio da Alegria a Rua 9 de julho é importante para o comércio e atravessa a cidade permitindo acesso a diversos pontos do município.





 
 
 
 
 
Fheluany Nogueira
Enviado por Fheluany Nogueira em 10/04/2018
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