Fheluany Nogueira
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Pitada de Sal – CLTS 02
 

 
               Lívia agitou uma folha de papel diante dos olhos sombrios da mãe:

                — É o óbito de papai, — fez uma pausa demorada — foi enfarte mesmo.

                 Lola tinha um nó na garganta. Ficaram juntas em silêncio. Atrás delas uma parede de fotografias: Lívia sorria timidamente aos dois anos,  já gordinha, tentava pular de um trampolim na piscina recém-construída, e havia o pai carregando um paraquedas, sorrindo depois de seu único salto. E outras fotos, muitas... a mãe figurava na maioria. A filha não as olhava como fizera por anos.

               — Eu sei que você fez alguma coisa! Vou descobrir. Odeio você! Era seu corpo fedido que devia estar debaixo da terra! — A moça gritou entre lágrimas. Saiu batendo a porta.
   
               Lola ainda pode ouvir um desesperado “O que vai ser de nós!”. Indecifrável olhou o jovem casal da foto de casamento.
Vinha lentamente se recompondo, procurando razões para prosseguir...
 
 

                     Amanhecera um dia lindo de sol. Lola, havia cinco dias, estava no apartamento onde Lívia morava, na capital. O apartamento pertencia a ela, mas a filha morava nele desde que se casara e continuara depois do divórcio. Era costume viajar assim para compras, consultas de rotina.  E chegava agora em casa, dirigira pelos oitenta quilômetros, estava sonolenta. Estranhou a picape do marido estacionada no abrigo. Luís sempre almoçava no sítio, quando ela não estava e só voltava à tardinha. Juntou a bagagem, abriu a porta dos fundos, respirou fundo e... um cheiro estranho a incomodou. Os passos foram ecoando no granito escuro:

               — Bem? Cadê você? Luís? Por que não foi pra roça?
            
           Pernas trêmulas. Sacolas espalhadas. Lola fecha os olhos. Quando os abre, Luís ainda estava lá.  Caído entre o criado e a cama, numa poça de urina, fezes e vômito. Bermuda abaixo dos joelhos, corpo torto em forma de um arco que repousava nos calcanhares. Rosto pálido e assustador, cianótico e tenso. A boca se tornara fixa em um sorriso hediondo.  Mandíbulas comprimidas, veias do pescoço inchadas. Os cabelos engomados por sangue coagulado davam-lhe um ar de boneco de cera. A expressão era de medo e desespero.


                Lola não o tocou, apenas chamou-o uma, duas, muitas vezes, a voz crescendo aguda... O homem imóvel.

                    Enfim, a reação: a mulher correu para a porta da sala, destrancou as fechaduras com dificuldade e gritou, gritou como nunca. Vizinhos foram aparecendo e tomando providências. O enterro deveria ser no mesmo dia, ao anoitecer. Veio a filha, os irmãos, alguns parentes mais afastados, os amigos. Todos em pasmo:
                 
                — Tentou colocar as calças.
                —  Com certeza, ia buscar ajuda.

                — Tão contraído, deve ter sentido muita dor.
                — É! Dizem que a dor do enfarte é terrível...
                — Coitado! Bateu a cabeça no criado-mudo.
                — Nossa! Não conseguiu ligar para o hospital...
           — Deve estar morto há uns dois dias. Lacraram o caixão.
                — Ontem conversamos pelo celular. Ou anteontem?
                — Trocamos uns vídeos nessa semana.
                — Ô pai, por que não foi pra casa com a mamãe? — Lívia resmungava.
                — Por que o deixei sozinho? O que vou fazer agora? — Lola estava inconformada e se sentia culpada por não estar ali e poder socorrê-lo quando começou a passar mal.
            — Você o matou, mãe! Confessa! Deixou que morresse assim, sem ninguém para acudir. Abandonou meu pai para ele morrer — Lívia estava descontrolada. Os presentes não lhe deram ouvidos. Entenderam aquelas primeiras palavras de acusação como se fossem de dor.

 
                E veio a suspeita. Lívia cada vez mais agressiva com a mãe. Naqueles três meses ia e voltava do seu apartamento para a casa da mãe. Completamente desassossegada.
 
                       — Todos os dias meu pai está ao meu lado — repetia para quem se dispusesse a ouvi-la. — Ele fica todas as noites de pé, ao lado da minha cama, olhando-me. Não consigo ver nenhum detalhe do seu rosto, apenas uma figura escura, uma sombra. Ele não fala nada, mas faz muito barulho. Parece que está com espasmos, com dor. Quer falar, quer cuspir, mas parece engasgado, sufocado... Então bate as portas do guarda-roupa, acende as luzes do quarto e espalha minhas roupas. Ele quer a minha atenção, está me prevenindo. Não é apenas intuição. A sua morte não foi natural!

 
              A tia queria convencê-la a procurar ajuda profissional:
                       — Querida, não está substituindo fatos pela paixão?
                       — Ah! Definitivamente acredito em espíritos, tia. Acredito em fantasmas.  A mão de papai se estendeu em minha direção e agarrou meu ombro. O toque era frio e muito forte. Pode parecer estranho, mas ele está me avisando de algo.  Foi minha mãe. Brigavam muito. Ela vivia dizendo que queria liberdade, que o dinheiro era dela. Jogava-lhe na cara que ele não tinha nada. Ela acha que estou inventando desculpas para minha bagunça. — era o que Lívia dizia.  Nunca mais dormi uma noite completa de sono depois que papai se foi. Meu tormento tornou-se maior quando ele começou a tentar se comunicar comigo — completava angustiada. E ninguém faz nada. Não acreditam em mim. Vamos pedir exumação do corpo, tia?

                       — Você está deprimida! Que coisa terrível está pedindo... Deixe-o descansar em paz. Você também brigava com ele. Luís sentia-se humilhado. “Dinheiro, mais dinheiro. Elas só pensam em dinheiro”— a tia se explicava, imitando a voz gutural do irmão.

                       — Tem uma coisa estranha, tia. Não consigo me lembrar de nada que aconteceu nos dias antes da perda de meu pai. Acho que a megera andou me dopando.

                       — Não fale besteira. Você e sua mãe sempre se deram tão bem. Planejavam outra viagem. Gostavam tanto de passear, fazer compras, falar de moda, discutir filosofia. Agora isso? Parece que o diabo assumiu a vida de vocês. Ah! Se seu pai visse vocês duas assim... — interveio a tia conciliadora.
 
                       O tempo correndo, inventário pronto, divisão dos bens. A casa parecia deserta, cheia de ecos, a única coisa que quebrava o silêncio eram as discussões que pioravam a cada dia. A moça partia, mas voltava logo. Era como se fosse arrastada por um poderoso ímã. Nada trazia a paz entre mãe e filha:

                    — Não sobrou ninguém para chorar meu pai a não ser eu. Você está é aliviada. Está rica, ficou livre. Pode fazer o que lhe der na cabeça.  Sinto nojo de você — sussurrou Lívia nos ouvidos da mãe, invasiva, curvada feito um bicho preso por um dono malvado. Havia muita irritação na voz.

                       Ameaçada demais, controlada demais... Entretanto, naquele momento, Lola ficou furiosa e lhe devolveu um olhar como quem dizia "cala essa boca de merda". A percepção de que havia criado uma verdadeira estranha a machucava.

                       Em seguida, Lívia rasgou uma foto dos pais ao meio, separando-os. Nesse ponto, Lola não aguentou mais e chorou de raiva e de desespero. A moça não entendia, não queria entender. Tinha os olhos vermelhos de ódio e de sua boca saía um líquido espumoso, que lhe manchava a pele. Ela avançou contra o pescoço da mãe, em total descontrole. Foi a gota d’água.

                       — Foi você! Foi você quem matou o Luís! Tem que lembrar tudo! Pare... pare... — Lola explodiu se sentindo pequena e invadida. — Eu sei, eu vi. Não pensei que seu pai fosse beber aquilo. Não vou falar pra ninguém. Você é a única coisa que tenho e nada vai trazê-lo de volta. Acho que você não teve a intenção — temia ser ouvida através das paredes, então sussurrava de forma enérgica e clara.

                       Lívia ficou mais agressiva, xingava a mãe de tudo quanto é nome. Dava-lhe socos e tapas violentos. Lola era menor que a filha, estava despreparada para esse tipo de ação, precisava se defender. Empurrou-a fortemente. Surpreendida, a moça desequilibrou e caiu, bateu a cabeça na quina da cômoda e ficou ali estendida.  Um rubor se alastrou totalmente pelo rosto. Um fulgor de cobre por baixo do antigo bronzeado, mas de aparência nada sadia — uma enorme bolha de silêncio, as duas mulheres presas dentro dela.
 
 

                       Aos poucos, os olhos foram se acostumando. A escuridão a inutilizara por um momento de plena paralisia. Em susto, Lívia percebeu que o tempo retrocedera.

                       — Mais dinheiro? Só passando por cima de mim... — disse Luís angustiado. — Não vendo nem um metro de terra. Para depois dizerem que joguei fora a herança de minha mulher? Desfazer das terras, nunca.

                       — Mas, pai... fiz a bariátrica, preciso de roupas — Lívia implorava com lágrimas fingidas.

                       — Gastei demais com seu casamento, não durou nada. Fogo de palha. Depois, a gordura é que está atrapalhando sua vida.  Você não tem limites, sempre quer mais. Aliás, não sabe o que quer. Terra eu não vendo. — o homem justificava.

                       Sombras preenchiam todo o espaço visível com borrões de memórias vagantes e a moça não conseguia discernir entre passado e presente. “Velho estúpido!” Fúria terrível foi nascendo e tomando forma, uma raiva que dominava...

                       — Tenho que fazer alguma coisa — os pensamentos emaranhados. — “Ah! Só por cima do seu cadáver”? — Lívia sentia o suor escorrer, a respiração difícil, o ar denso, duro, pequenos espasmos nas mãos frias. Uma pitada do veneno, como uma pitada de sal, bem dosada. A garrafa de pinga que somente o pai consumia. Como por automatismo, as imagens iam ficando cada vez mais nítidas.

                       Agora, no seu apartamento, escrevia uma mensagem no celular: “Na segunda prateleira da dispensa deixei um presentinho para o senhor. Bom proveito.

                       Um close fixou o rosto do pai. Indefeso, sem carinho, sem civilidade. O corpo caindo e desprendendo um uivo desesperado e interminável. O ânimo que escoava. A evidência esmagadora das pitadas levou o velho pai. Exatamente como planejara...
 
 
                       A claridade incomodava e lenta Lívia foi abrindo os olhos. A cabeça latejava... A visão continuava turva. Havia movimento de outras pessoas ao derredor. Um aspecto familiar veio se esboçando. Eram alguns dos vizinhos. Estava no quarto, notou que recebera uma injeção na veia.

                       — Calma, filhinha. Não se mexa. O tombo foi feio. Como foi escorregar? — Lola, sem detença, tagarelava impedindo que a filha pronunciasse qualquer palavra. — Melhor irmos ao hospital. Fique quieta. Parece assustada.
                      
                       As lembranças vieram incrivelmente claras. Lívia percebia agora que bloqueara a sua mente para a verdade, mas não se arrependia. Junto das memórias veio o antigo rancor. O que deveria fazer era convencer a mãe de que fora um acidente. Seu ser se inflamava de ira e furor novamente. “Mesquinho, pobre de espírito! Só pensava no que diriam dele. Velho idiota!
 
                       Assim que ficaram a sós, as duas gaguejavam trocando olhares. Nenhuma tomava iniciativa. A mais velha não queria acusar, a mais nova não queria confessar. Eram muitas as acusações, uma soma de disparates, um ritual de sonhos desfeitos trazidos com a verdade:

                       — Depois do susto ao encontrar seu pai morto... o movimento na casa... percebi o que aconteceu. Disse que precisava ir ao banheiro. Fui lá fora.  Peguei a pinga e entornei na privada. Lavei o litro com sabonete e álcool. Era o que tinha lá. Por quê? Ele era fraco, mas não merecia ter esse fim. Quais os seus motivos para isso? Tudo futilidade. — Lola, estarrecida e indignada, ia mostrando o que sabia, sem se esforçar para esconder tristeza e reprovação.

                       — Não era para ele, mamãe! Era para mim! Eu... eu estou cansada! Quero morrer. Como foi acontecer isso? — dramática, a moça disfarçava os sentimentos reais e iludia a mãe. Já apagara todas as mensagens do celular do pai e do seu.

                       Choraram abraçadas, lastimaram muito o acontecido.  Lola ainda contou que quando a polícia veio, perguntaram se deveriam fazer uma autópsia porque o homem foi encontrado morto havia dias. Ela confirmou que ele tinha problemas cardíacos. O médico preencheu a papelada e ficou por isso mesmo. Aqueles papéis eram fajutos, próprios da burocracia. A mãe jurou que nunca a entregaria à justiça humana. O castigo delas seria que uma estava presa à outra e deveriam estar sempre juntas.

                      Quando Lívia se levantou dizendo que faria uma sopa, Lola foi mais rápida e correu para a cozinha, insistindo que ela mesma prepararia o jantar.

                       — Sirva-se, filha.
                  
                    — Pode pôr no prato, mamãe. E prove da minha, por favor. Veja se está boa a temperatura...

 
                       Desconfiança e falsidade lhes tocavam a vida. As duas reacostumando uma com a outra...  uma convivência de sentimentos controversos. Ficou fácil para que o escuro da noite começasse a costurar assombros e visagens. Dentro da casa a atmosfera ia ficando mais estranha, mais fria.

                       Lola tinha sensações estranhas: um toque carinhoso nas mãos, um beijo, ao mesmo tempo cálido e frio, um abraço metálico que lhe provocava saudades e dor. Palavras ecoavam: “Nunca deixe alguém à sorte”, “Você é minha, tem que me seguir”. Era algo como leves sussurros que lembravam a voz grave do marido que, ia se transformando, lenta, em raiva crescente. Gritos de palavrões substituíam os murmúrios. Apavorada ela se encolhia e ficava revivendo a tormenta que enfrentara tantas vezes.

                 A noite ia passando... e de repente o tempo voltava ao normal, a realidade retornava. Tudo estava como antes, menos o coração da viúva relutante em esquecer.  Aos poucos e, apesar do medo, adormecia vencida pelo sono.

              Ao comentar com Lívia no dia seguinte, ambas ficaram estarrecidas, tiveram o mesmo pesadelo, apenas parte do diálogo variava. Sentiram um calafrio que mais parecia suas almas congelando.

                       Nas noites seguintes, continuaram a ouvir os barulhos, os toques, mais altos, mais nítidos. A criatura mais atrevida, mais raivosa. Às vezes, batia com as mãos nas portas, provocando-lhes pulos de susto. Vermes rastejavam ao redor da criatura, um odor inexplicável.  A voz, seguida de risadas sinistras, exigia algo:

                       Eu me alimento do medo. Sou o que vocês mais temem!
                  — Quer justiça?  Então me mate! Deixe nossa filha em paz! — suplicava Lola.

                  — Só quero estar com vocês. Eu já falei que me alimento do medo! E vocês estão me alimentando... Vocês têm pecados para pagar, não posso matar ninguém agora, não pelo menos até sugar tudo o que têm para me dar! — era um demônio, na forma de Luís, com olhos flamejantes, faces encovadas, tez pálida. Uma aparência, ao mesmo tempo, cadavérica e ameaçadora.

                        Mãe e filha entenderam que o monstro estaria sempre com elas. Restava apenas um vazio, um "nada".  Família e dignidade se foram. Na verdade, tudo não passava de um jogo de conveniências na busca de vantagens. Lívia estava ávida por viagens, por aventuras, por luxo e sexo casual. A mãe era um encosto, uma carga. E, aqueles pesadelos haveriam de sumir... A moça acreditava ser perseguida, sufocada...

                       Não pensou mais. Em impulso, entrou no outro quarto, tomou o travesseiro e apertou-o contra o rosto de Lola que cochilava de barriga para cima. Esta acordou agitada, mas sem conseguir se mexer com a pressão… Uma presença esmagava-lhe o peito. E era má. Era um dos pesadelos?  Debateu-se com todas as forças, o corpo se retorcia em ângulos impossíveis, inútil. Indefesa, ainda pode ouvir, como se estivesse distante, a voz rouca que balbuciava: “Foi você quem pediu!”, “Calma, fique calma! Vá encontrar o paizinho! Está muito cansada... Descanse... mas bem longe de mim!”.  
 
                 Enquanto isso acontecia, Lívia notou algo diferente, enchendo o espaço. Não estava mais sozinha, como se sentisse um respirar por detrás. Imóvel, seus olhos fizeram uma busca pela escuridão do quarto. Um arrepio se estendeu por um lado do corpo até a nuca, um toque suave, como de uma seda, na pele. O frio brusco contrastava com o suor nas mãos. Uma voz que chamava e dois pontos de luz flamante.  Um presságio repentino se apossa de sua alma. Nervosismo, medo a fazem lacrimejar. Seria prisioneira de um dos pesadelos conhecidos?

                 A moça sentiu-se agredida, arranhões pelo corpo sob a fina camisola.  Uma dor mais profunda como se lhe cortassem a pele. Sangrava em ardor; a cabeça se rebatia em movimentos desordenados, em puxões doídos; o pescoço fazia acrobacias, esticava-se, embolava-se; as pernas convulsas não encontravam a saída.  A moça perdera-se em túneis fétidos, em vertigem... Não poderia viver sem mentiras!

                 — Você chegou ao fundo! Sua queda... me alimentou! Você é minha!— a voz sobre-humana clamava em satisfação!
 
                

                 A faxineira tinha as chaves da casa. “Não vou mais parar/'Cê vai aguentar/ Não vou mais parar...” Estranhou que não a mandassem calar — as duas patroas eram tão mal-humoradas. Silêncio intenso. Nem a tevê ligada? Não era costume. Passava das nove. No corredor notou a porta aberta. Empurrou-a com cuidado:

                      — Deus! Me.. ajude! Ai! Ai!

                 Sobre a cama, a velha em estupor. Aos pés da cama a moça destroçada, pulsos partidos, em sangue. E olhava fixamente para lugar nenhum...
 
                
 
Tema: família, lembranças.


 
 
Fheluany Nogueira
Enviado por Fheluany Nogueira em 25/02/2018
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